Veterinários pedem cuidados com animais para evitar mormo
Veterinários pedem cuidados com animais para evitar mormo
PUBLICADO EM 26/08/2015 - 00:00
Na manhã de segunda-feira (24), foi realizada na Câmara de Vereadores uma reunião para tratar sobre mormo, doença infecciosa que atinge predominantemente equinos e que recentemente voltou a se manifestar no Rio Grande do Sul. Mormo é uma zoonose, ou seja, tem incidência em animais, podendo ser transmitida para humanos, causada pela bactéria Burkholderia mallei. Conforme dados do Ministério da Agricultura, em 2014 foram verificados 220 casos confirmados no país e até junho de 2015, aproximadamente 140 casos da doença já foram notificados junto ao Ministério. A reunião foi uma proposição do vereador Paulo Roberto da Silva, visto que o mês de setembro concentra atividades alusivas à Revolução Farroupilha, reunindo um grande número de cavalos. De acordo com o médico veterinário da Inspetoria Veterinária do Estado em Candelária, Glênio Pereira, os principais sintomas de mormo são semelhantes aos do garrotilho, corrimento nasal purulento, lesões nos brônquios e pulmões, lesão cutânea, infecção dos gânglios linfáticos, febre alta e emagrecimento. No Rio Grande do Sul, conforme o veterinário, há um caso positivo para mormo, além de suspeitas em cidades como Cruz Alta, Pelotas e Santo Antônio das Missões, cujos animais analisados tiveram o resultado do exame inconclusivo, por isso a necessidade de novos testes para confirmar ou descartar a doença. Nos casos em que o exame der positivo, o animal deverá ser sacrificado e incinerado. Pereira esclareceu que toda atividade que implique em aglomeração de animais deve ser registrada junto à Inspetoria Veterinária e para evitar a presença de animais doentes, deve ser exigida a apresentação da Guia de Trânsito Animal (GTA), cuja expedição depende de exames para descartar anemia infecciosa e mormo e apresentação de atestado de um profissional informando que o animal está livre de doença respiratória. Também presente na reunião, o veterinário da secretaria municipal de Agricultura, Carlos Alberto Roos, alertou que a grande preocupação é com as atividades que reúnam um grande número de animais, pois onde houver um animal portador da doença, mesmo que não apresente os sintomas, já é possível passá-la adiante. Além disso, alertou que o mormo pode ser transmitido para humanos e por não ter tratamento específico, pode levar a óbito. "É muito importante que se tenha cuidado com esses animais. A transmissão da doença é muito fácil. Evite levar animais em locais onde não seja exigido o teste negativo para a doença. Uma vez expondo um animal à doença, vai acabar levando a doença pra dentro da propriedade, aí o problema é muito grande", esclareceu Roos. O secretário de Agricultura, Danilo Lopes, reforçou a importância dos cuidados para evitar a doença e pediu que os proprietários de cavalos tomem cuidado, busquem informações sobre mormo e em caso de suspeita de possuir um animal infectado, que ele seja isolado. Representando o CTG Sentinela dos Pampas, Jordeni Ferreira garantiu que, até o momento, o desfile Farroupilha promovido pela entidade está garantido, e que todos os interessados em participar serão comunicados da necessidade da realização do exame nos animais, embora não possa obrigá-los a isso. Além disso, Ferreira salientou não ter como concentrar a entrada de cavaleiros em um único local, de forma a verificar se todos os animais foram examinados, mas assegurou que um médico veterinário foi contratado para acompanhar o desfile, que já foi cadastrado junto à Inspetoria. Alguns esclarecimentos:- O exame para mormo só pode ser realizado por médico veterinário credenciado junto ao Ministério da Agricultura;- Todo animal que estiver em trânsito deve portar a GTA, de forma a assegurar que está em boa saúde;- Toda atividade onde é prevista a aglomeração de animais deve ser registrada junto à Inspetoria Veterinária do Estado e exigida a GTA;- Uma vez que um animal sadio tenha contato com um animal infectado ou com um local onde esteve um animal infectado, ele poderá contrair a doença, mesmo que o cavalo doente não apresente os sintomas;- Mormo acomete principalmente equinos, mas pode infectar ovinos, caprinos, cachorros e humanos;- Em atividades em que o proprietário não possua a CTA, ele será multado e proibido de participar do evento;- Sobre os cavalos soltos ou de carroceiros em Candelária, a preocupação não é tão grande, pois os mesmos não participam de eventos e exposições, não sendo expostos a outros animais.

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