Representando a antiga administração do hospital de Candelária, Telmo Percival de Almeida, ex-diretor administrativo, esclareceu algumas questões do decreto municipal que declarou estado de calamidade pública o Sistema Único de Saúde em Candelária. Disse que vários pontos do documento faltam com a verdade, como o número de procedimentos cirúrgicos, que, segundo ele, em 2012, foram 188 e não 133, como consta no decreto, e que o contrato trabalha com um número máximo de procedimento, não com metas, além disso, o contrato prevê pagamento por produção, ou seja, por procedimento realizado. Sobre a compra de serviços em outras instituições, disse que foram feitas para os serviços de alta complexidade, não realizados em Candelária, sendo os mesmos uma responsabilidade do poder público. Disse que muitas vezes esses atendimentos são conseguidos através de intervenção judicial. Sobre a interrupção abrupta dos serviços no bloco cirúrgico, Telmo disse que em 13 de agosto de 2012 foi enviado ofício à 13ª Coordenadoria Regional de Saúde comunicando a suspensão das cirurgias eletivas. Em outubro de 2012, com a suspensão total dos procedimentos, foram enviados ofício à secretaria municipal de Saúde comunicando a medida, assim como o Ministério Público, que também foi devidamente informado sobre a suspensão. Disse que no arquivo do hospital há cópias dos protocolos de recebimento dos ofícios pelos dois órgãos. Telmo defendeu a antiga administração sobre a alegação do decreto de que grande parte dos equipamentos do hospital já são de propriedade da prefeitura. Ele disse que os equipamentos a que refere o decreto somam um montante de cerca de R$50 mil, e foram conquistados pelo hospital através da Consulta Popular, ou seja, a partir de reivindicações da comunidade. Sobre as irregularidades sanitárias apontadas, comentou que todas as exigências foram atendidas na última inspeção sanitária, e que o único item pendente era a ala de dependência química, de responsabilidade do município. No dia 11 de outubro de 2012 foi solicitada à Vigilância Sanitária estadual a renovação do alvará, mas que a solicitação nunca gerou uma resposta, nem positiva tampouco negativa. Telmo salientou também que as imagens anexadas ao inquérito civil sobre a situação da instituição são de outro local, não do hospital de Candelária, e que o inquérito aponta situações já resolvidas há mais de dois anos da instauração do processo. No dia 15 de janeiro de 2013, destacou Telmo, o executivo foi chamado pela promotoria de Candelária, ocasião em que foram tratados dez inquéritos ou ações públicas envolvendo o hospital, entre eles a situação da ala de dependência química, ainda não concluída e que já está em obras há mais de quatro anos, sendo uma responsabilidade exclusivamente do poder público municipal. Disse, ainda, que nenhum serviço, em tempo algum, deixou de ser prestado, a não ser as cesáreas e as cirurgias à época em que o bloco cirúrgico estava em reforma, mas que os usuários foram encaminhados para outros locais, com os custos pagos pelo hospital. Comentou, ainda, que o hospital sempre atendeu muito mais do que sua capacidade, nunca recebendo mais recursos por isso. Sobre as dívidas, disse que a instituição possui um passivo expressivo, construído ao longo dos anos, desde outras gestões e outros gestores. Salientou que quando assumiram a instituição, em 2008, o hospital possuía um prejuízo de R$600 mil ao ano, e que até o segundo semestre de 2012, a instituição sinalizava um saldo positivo de mais de R$100 mil. Em 2008, não possuía, também, crédito para a compra de alimentação e mantimentos. Telmo deixou bem claro o que pensa do decreto assinado pelo prefeito no dia 1º de abril, que teria deixado a comunidade em choque e a equipe abalada, sem as mínimas condições de trabalho. "A diretoria repudia o decreto que fere a instituição do estado democrático em que vivemos, o que nos remete a uma era de ditadura, em que se fazia tudo a força. Temos o sentimento do dever cumprido, a cabeça erguida e cara limpa". Ele disse que a antiga direção não se conformou com o despacho da justiça que indeferiu o pedido de liminar para que a administração continuasse a frente do hospital e ingressou com um agravo de instrumento junto ao Tribunal de Justiça, que está pendente de julgamento desde o dia 9 de abril. Questionamentos dos vereadores:Paulo Roberto da Silva: Por que não foram recolhidos INSS e FGTS dos funcionários? E para onde foi o dinheiro descontado dos funcionários?Telmo Percival de Almeida: Alguns foram recolhidos e outros não, justamente pelo estado calamitoso em que vivem as instituições filantrópicas. O dinheiro descontado deveria ser recolhido para o INSS, mas compõe os custos do hospital e nele é aplicado para cobrir o rombo. Sobre o FGTS, existe um processo dentro da Caixa Econômica Federal em que está sendo postulado o parcelamento da dívida. Disse que em caso de demissão de algum funcionário, era composto o saldo, devidamente corrigido, e o funcionário recebia tudo a que tinha direito. Alan Wagner: A prestação de contas das ações do plantão e sobreaviso, cujo projeto foi aprovado pela Câmara de Vereadores, era feita mensalmente? Telmo: Nunca foi exigido prestação de contas e o sobreaviso era de responsabilidade do hospital, desde que o serviço foi cortado pelo executivo. O convênio prevê somente o atendimento noturno e nos finais de semana e feriado. Não me consta que fale no projeto sobre prestação de contas. Rui Porto: O cheque do dia 2 de abril foi assinado nesse dia e tentado descontar no Banrisul?Telmo: Não. Esse cheque é um cheque de ordem de pagamento do Banrisul, assinado no dia 14 de março, pelo gerente e subgerente do banco, e estava disponível conosco desde o dia 14 de março para fazer pagamentos agendados para o dia 1º de abril e como não foi possível, fomos fazer os pagamentos no dia 2. Os pagamentos são questões administrativas, tínhamos no organograma compromissos a serem pagos na virada do mês, como a grade dos médicos, fornecedores, parcelamentos.Gilnei de Souza: O que são empréstimos de particulares, que constam em documentos do hospital?Telmo: Quando assumimos tínhamos vários cidadãos de Candelária com empréstimos ao hospital de Candelária. Existe um empréstimo que não foi quitado ainda, no valor de R$ 5 mil. Os compromissos desse tipo que pagamos não foram contraídos na nossa gestão, então eu não sei qual era a opção da época. Eu acredito até que se pagavam juros para pessoas físicas, porque o hospital não tinha crédito.